OS QUE FICAM

                     Laerte Antonio

 

De todos os poemas

hão de ficar aqueles

que falam do ser e seu destino.

Os que falam do gesto

da mão a mitigar a dor.

Os que ensinam o caminho

entre os espinhos e a rosa.

Os que não abriram mão

da fé,

da esperança,

do amor.

Os que sabem o que é o bem,

o que é o mal.

Os que dizem não à desventura.

Os que intuíram um sentido,

um rumo, um nexo,

uma finalidade

por entre a negação

e a insistência de não havê-los.

Os que sabem no coração

o que é a verdade,

o que são meias-verdades,

hipóteses e inverdades.

Os que se deixam alentar

pelo sopro do Espírito.

Os que conseguem expressar

conflitos e bloqueios

tornando a doença realização

e liberdade.

Os que reúnem num só ser

o adulto, o jovem, a criança

e permitem-se fluir

num ponto-centro microscópico do círculo —

onde chegar é chegar-se.

Os que sabem ser humanos

e, claro, não ficam por aí —

mas ensinam o salto...